O Rio de Janeiro está um fervo só. Mostrando porque muitos ainda o consideram o centro cultural do País, há eventos para todos os (melhores) gostos.
De feira de livros a show de música eletrônica, a cidade maravilhosa não dá margens a reclamações por falta de opção.
Abrindo a lista de eventos com chave de ouro, há o Festival de Cinema do Rio. Este ano, os filmes estarão espalhados por 35 pontos da cidade. Uma verdadeira maratona cinematográfica, com obras de todo o mundo e de todos os estilos. Para conhecer a programação completa, horários e mais detalhes, acesse www.festivaldorio.com.br. No final desta coluna, uma lista com 25 sugestões de filmes para vocês, com comentários.
Hoje, amanhã e domingo, a Primavera dos Livros dá o troco ao monopólio das editoras gigantes que entopem as Bienais. 81 estandes expõem a fina flor da produção literária de 90 pequenas e médias editoras, com descontos de até 40%. As estrelas deste ano são João Ubaldo Ribeiro e o livro de Tirso Sáenz que mostra Che Guevara, não como um guerrilheiro, nem como médico, nem como viajante, mas, desta vez, como ministro. E, no domingo, a música invade o festival literário com as presenças de Chico César, Gabriel o Pensador e Nei Lopes, mostrando que música e literatura andam assim ó!
Einstein (quem diria?) também veio pro Rio. E dará as caras no CCBB em um seminário que comemora os Cem Anos de Relatividade (quarta e quinta-feira, às 18:30h. Grátis.); e na Casa de Ciência da UFRJ, estará no ciclo de palestras para leigos sobre a sua vida e suas teorias (terça-feira, às 18:30h).
Para quem curte moda, hoje, amanhã e domingo, o Fashion Mall abre suas portas para editores de moda que anteciparão as tendências das coleções primavera-verão e darão dicas de como se vestir adequadamente. Desfiles serão intercalados por pocket-shows com Tony Garrido (hummm).
Neste e no próximo final de semana, também acontece o II Festival Latino-Americano de Música Instrumental, no qual artistas de sete países (Argentina, Bolívia, Cuba, Peru, Uruguai, Venezuela e Brasil) se apresentam de graça em 22 apresentações, sendo oito no teatro do SESC Tijuca e quatorze nos jardins do Museu da República, no Catete. http://www.festivallatino.com.br/home.html
E vem mais por aí!!!! O mês de outubro traz para o MAM o Tim Festival (http://www.timfestival.com.br/), com atrações de primeira grandeza como Mundo Livre S.A., De La Soul, Morcheeba, SpokFrevo Orquestra,Television e Elvis Costello.
O mês de novembro, por sua vez, trará o imperdível Claro que é Rock (http://www.claro.com.br/hotsites/claroqerock/hotsite.html). A versão carioca será realizada na Cidade do Rock, só pra ter uma idéia do porte do evento. A promessa de 12 horas de show não é nem um pouco desanimadora quando se tem como atrações, até agora confirmadas, Sonic Youth, Nine Inch Nails, Suicidal Tendencies, The Flaming Lips, Iggy Pop & Stooges e Nação Zumbi.
Preparem os bolsos e o fôlego para tanto show bom.
E vamos todos acender uma vela para os santos padroeiros da Petrobrás, do Sesc/Rio e das cias. de telefonia móvel que estão juntando esse bando de gente boa e trazendo para o Rio. Vida longa e próspera para quem patrocina cultura na terra do Severino, do Jefferson, do Maluf, do Luis Inácio...
APOSTAS PRO FINAL DE SEMANA
• Entra hoje em cartaz peça do genial Marcelo Tas: "A história do Brasil segundo Ernesto Varela"
Centro Cultural Telemar, sexta a domingo, 19:30h. R$ 10
• KAMI: exposição de origamis, no Centro Cultural e Informativo do Consulado Geral do Japão (Av. Presidente Wilson 231, 15º andar). Segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14:30h às 17h. Até 6 de outubro. Grátis.
• EDUCAÇÃO, OLHA!: exposição de desenhos de 64 artistas contemporâneos, jovens, novos e consagrados. Na lateral da casa, um painel será inaugurado. Este painel a cada 4 meses será o espaço de criação para um jovem artista. Sobrado A Gentil Carioca. Horários na programação acima. A exposição fica em cartaz até 15 de outubro. Grátis.
• NAVEGAR É PRECISO é o tema escolhido pelo Museu Internacional de Arte Naif (R.Cosme Velho 561) que apresentará 110 obras do gênero, enfocando o uso da água na navegação, esporte, lazer e na cultura. Até março de 2006. Grátis.
• CASA COR: design, boas idéias e roupas diferentes para a casa. Este ano na R. do Catete 194. Das 12h às 21h. R$ 20 (estudantes e idosos pagam meia!!)
24/09, sábado
• O Nokia Trends leva aos Armazéns 5 e 6 o imperdível ASIAN DUB FOUNDATION e Money Mark entre outras atrações e um telão que mostrará, simultanemente, os shows de São Paulo que terá INSTITUTO e o onipresente BNEGÃO. R$ 90
28/09, quarta-feira
• MUNDO LIVRE S.A., teatro Rival – Projeto Trama Universitário.
FESTIVAL DO RIO – Sugestões
1) Habana Blues, de Benito Zambrano – Música cubana! (Cub)
2) Iberia, de Carlos Saura – Música e dança flamenca. (Esp)
3) Manderlay, com Danny Glover, de Lars Von Trier – Racismo e opressão aos negros americanos. (EUA)
4) La Moustache (O bigode), de Emmanuel Carrere – Afinal, ele tinha ou não um bigode? (Fra)
5) Soy Cuba, de Enrique Pineda – Documentário sobre a revolução comunista. (Cub)
6) The Constant Gardener (O Jardineiro Fiel), de Fernando Meirelles – Além da direção, o filme é uma adaptação do filme de John Le Carré. (Reino Unido+Quênia+Alemanha)
7) La Dignidad de los Nadies (A Dignidade dos Ninguéns), de Fernando Solanas – Um dia a casa cai... (Arg)
8) Onde (Ondas), de Francesco Fei – O amor entre um cego e uma mulher complexada. (Ita)
9) Last Days, de GUS VAN SANT – Inspirado em Kurt Cobain. (EUA)
10) Nenhuma canção de amor (Lars Kraume) – Rock and Roll. (Ale)
11) KordaVision, de Hector Cruz Sandoval – Fotografia cubana de Alberto Dias Korda (Cuba+EUA+México)
12) Weltverbesserungsmassnahmen (Medidas para Melhorar o Mundo), de Jakob Hufner (Ale)
13) All the Invisible Children, de Katia Lund – Crianças pobres não existem só no Brasil! (Ita)
14) Mrs. Henderson Presents, de Stephen Frears. (Ing)
15) Crossing the Bridge: The Sound of Istanbul, de Klaus Maeck – Música!!! (Alemanha)
16) Marock, de Laila Marrakeshi – Juventude e cultura marroquina. Tomara que tenha música!!! (França+Marrocos)
17) Olhar Estrangeiro, de Lucia Murat – Como franceses, suecos e norte-americanos nos vêem. (BRA)
18) Reinas, de Marisa Paredes – Casamentos gays, mães chorosas e muita confusão. (Esp)
19) Die Glücklichsten Menschen der Welt (As Pessoas mais felizes do Mundo) – Dizem que estão na Índia. Será? (Ale)
20) Shaking Hands with the devil (Apertando a Mão do Diabo), de Peter Raymont
21) Crime delicado, de Beto Brant. O diretor justifica a aposta. (Bra)
22) Azarão, de Dagur Kári - Graffiti e Dinamarca. Precisa explicar mais? (Din)
23) Meu encontro com Drew Barrymore, de Brian Herzlinger - Um nerd apaixonado faz de tudo para conhecer a bela atriz. (EUA)
24) Bonecas Russas, de Cédric Klapisch, com Audrey Tautou – Xavier e seus amigos dão continuidade às travessuras de Albergue Espanhol. (França + Inglaterra)
25) Crime Perfecto, de Alex de la Iglesia – (Esp) Vendedora chantageia um colega e o transforma em seu escravo sexual... hum parece bom... ehehehehe
sexta-feira, 23 de setembro de 2005
segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Moby arrasa o Rio Centro com show na noite de sábado
Nem o frio e nem a chuva tiraram a animação das milhares de pessoas que foram ao longínqüo Rio Centro na noite de sábado. Marcelinho da Lua, acompanhado dos vocais de Angelo B e Mariozinho, subiu ao palco, pontualmente, às 11h da noite. Num set de meia hora, aqueceu a galera tocando de Beastie Boys a Chico Buarque.
O aquecimento foi a deixa pro DJ Patife manter o povo "no sacolejo". Abriu seu set com a singela "Diariamente" e mostrou porque é considerado um dos melhores do mundo. Acompanhado pelo vocal inglês de Cleveland Watkiss, sua versão emocionante para "Overjoy", do Stevie Wonder, fez a chuva parar e a moçada cantar junto. Também fez todo mundo chacoalhar ao som de John Coltrane e quando anunciou a última música viu o público pular como louco como se quisesse aproveitar seus últimos minutos no palco.
15 minutos depois da saída de Patife, o Rio Centro foi invadido por uma onda sonora que, de tão forte, fazia as caixas toráxicas em frente ao palco tossirem fragilizadas pela gravidade do baixo: era a vinheta que abre o último álbum de Moby, Hotel. Foi para promovê-lo que Moby veio ao Brasil, mas o show foi digno de festival: nenhum hit foi esquecido. Focou o repertório nos álbuns Play, 18 e só as melhores faixas de Hotel, as baladas ficaram de fora, provando que os bons artistas sabem exatamente o que seu público quer ouvir.
Em duas horas de show, sugou toda a energia da audiência com versões melhoradas para músicas que já eram perfeitas. "Honey" ganhou o riff de "Whole lotta love", do Led Zeppelin, e "Find my baby" e "South Side", uma roupagem bem mais rock and roll. Moby presenteou o público com uma versão "bossa nova" para "Creep", do Radiohead. "Porcelain" foi devidamente acompanhada pelo público que, aliás, cantava TODAS as músicas. A vocalista inglesa Joan levou "Why does my heart feel so bad" lindamente ora à capela ora acompanhada pela guitarra do Moby apenas, que encerrou nocauteando o público com a seqüência "Body Rock" e "Lift me up".
No bis, a banda teve a oportunidade de mostrar seus dotes individuais. O belo guitarrista Derrik Murph cantou, perfeitamente, "Break on through", mas, pelo jeito desengonçado, não deveria ter largado a guitarra. Lucy Butley, a tecladista, mandou um beat box sexy e transgrediu "Fur Elise", de Beethoven, que mais parecia uma música de cabaré. Bem engraçada! Antes do set de bateria, Moby anunciou a descendência materna carioca do baterista, e encerrou pra valer o show com "Feeling so real".
Moby é uma simpatia, conversava todo o tempo com o público. Logo no início do show, se desculpou por "ser um americano ignorante e não saber falar português" e "por ser um americano ignorante que tem George Bush como presidente". Tirou foto da multidão que o assistia, brincou com a banda, elogiou o público ("todos são tão sexy aqui", dizia enquanto tirava fotos) e a cidade. A distância que separava o Rio Centro de casa não teve a menor importância. O cansaço era grande, mas a alegria de ter assistido a um espetáculo como aquele era muito maior.
Aê, Moby: thanx thanx thanx.
O aquecimento foi a deixa pro DJ Patife manter o povo "no sacolejo". Abriu seu set com a singela "Diariamente" e mostrou porque é considerado um dos melhores do mundo. Acompanhado pelo vocal inglês de Cleveland Watkiss, sua versão emocionante para "Overjoy", do Stevie Wonder, fez a chuva parar e a moçada cantar junto. Também fez todo mundo chacoalhar ao som de John Coltrane e quando anunciou a última música viu o público pular como louco como se quisesse aproveitar seus últimos minutos no palco.
15 minutos depois da saída de Patife, o Rio Centro foi invadido por uma onda sonora que, de tão forte, fazia as caixas toráxicas em frente ao palco tossirem fragilizadas pela gravidade do baixo: era a vinheta que abre o último álbum de Moby, Hotel. Foi para promovê-lo que Moby veio ao Brasil, mas o show foi digno de festival: nenhum hit foi esquecido. Focou o repertório nos álbuns Play, 18 e só as melhores faixas de Hotel, as baladas ficaram de fora, provando que os bons artistas sabem exatamente o que seu público quer ouvir.
Em duas horas de show, sugou toda a energia da audiência com versões melhoradas para músicas que já eram perfeitas. "Honey" ganhou o riff de "Whole lotta love", do Led Zeppelin, e "Find my baby" e "South Side", uma roupagem bem mais rock and roll. Moby presenteou o público com uma versão "bossa nova" para "Creep", do Radiohead. "Porcelain" foi devidamente acompanhada pelo público que, aliás, cantava TODAS as músicas. A vocalista inglesa Joan levou "Why does my heart feel so bad" lindamente ora à capela ora acompanhada pela guitarra do Moby apenas, que encerrou nocauteando o público com a seqüência "Body Rock" e "Lift me up".
No bis, a banda teve a oportunidade de mostrar seus dotes individuais. O belo guitarrista Derrik Murph cantou, perfeitamente, "Break on through", mas, pelo jeito desengonçado, não deveria ter largado a guitarra. Lucy Butley, a tecladista, mandou um beat box sexy e transgrediu "Fur Elise", de Beethoven, que mais parecia uma música de cabaré. Bem engraçada! Antes do set de bateria, Moby anunciou a descendência materna carioca do baterista, e encerrou pra valer o show com "Feeling so real".
Moby é uma simpatia, conversava todo o tempo com o público. Logo no início do show, se desculpou por "ser um americano ignorante e não saber falar português" e "por ser um americano ignorante que tem George Bush como presidente". Tirou foto da multidão que o assistia, brincou com a banda, elogiou o público ("todos são tão sexy aqui", dizia enquanto tirava fotos) e a cidade. A distância que separava o Rio Centro de casa não teve a menor importância. O cansaço era grande, mas a alegria de ter assistido a um espetáculo como aquele era muito maior.
Aê, Moby: thanx thanx thanx.
sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Banana d’água em rodízio de pizza
Ela bate a porta do carro. O tailleur cinza ainda está impecável às 22:45h da noite. Mesmo depois de um exaustivo dia na companhia. Muitas reuniões e decisões. Solta os longos cabelos loiros e tira os sapatos de saltos finíssimos que realçam ainda mais os 60 quilos distribuídos por seus quase 1,80m.
É assim que o mundo vende a imagem da mulher do século XXI. Impecável, alta, loira e em cima do salto. Executiva de uma multinacional.
Porém, não há multinacionais em número suficiente para a quantidade de mulheres no mercado de trabalho. Além disso, nossa raça de nanicos, só há poucos anos, têm conseguido vencer a subnutrição e exportar top models, em sua maioria, muito mais parecidas com as européias do que com o padrão do mulherio brasileiro.
Na vida real, a mulher (quando tem uma porta de carro para bater) entra em casa, depois de uma longa jornada, e se depara com os filhos muitas vezes já dormindo. Ela compra presentes para eles a fim de se sentir menos culpada por ter que abandoná-los todos os dias, mesmo sabendo que todo o esforço é por eles.
Já não consegue mais ser tão vaidosa. Sapato alto só para dia de festa. E, se consegue a proeza de medir mais de 1,75m, tendo apenas os 60 quilos citados acima, com certeza, fecha a porta do banheiro e enfia o dedo na goela para se livrar dos excessos cometidos no churrasco do final de semana. Porque ela tem que ser magra, alta, loira, como a moça da propaganda.
Em um mundo globalizado, em que não sabemos mais se devemos preservar nossas raízes ou misturar o que há de bom nas diversas culturas as quais passamos a ter acesso, não é de se admirar que não saibamos mais quem somos ou o que queremos ser.
“Um homem que não tem pensamentos individuais é um homem que não pensa.” - Oscar Wilde
Se ontem o “cabeça feita” era aquele que tinha e formava sua própria opinião, hoje surge a figura do criador de tendências como criador de identidades, expostas em verdadeiros supermercados de estilos e atitudes, prontos para o consumo.
A Mídia disfarçada de Moda é quem dita as regras não só para o que vestir, mas que máscara usar. Grifes, marcas e estilos fabricados chamam para si a (ir)responsabilidade de traduzir a identidade e a linguagem das pessoas. Nesse samba do crioulo doido, estilistas, modelos e celebridades passaram a ser cultuados e transformados em referências de comportamento e consumo e até o alternativo virou um estilo.
Assim, a roupa, que servia como uma ferramenta para as pessoas se cobrirem e protegerem do meio ambiente – e só para os mais estilosos, um veículo para exporem suas idéias e suas personalidades –, virou um crachá que identifica sua tribo, classe social, seu ídolo ou ideologia; ou peça de uma engrenagem que trabalha dia e noite para a banalização de conceitos, que nem se restringem mais aos padrões de beleza, mas também ao comportamento e, principalmente, à posição do indivíduo na sociedade. Afinal, segundo BERNARDO JABLONSKI (Doutor em Psicologia Social/ FGV): “Queremos ser iguais, mas com fama de diferentes. E queremos ser diferentes, mas com ar de que somos iguais (nem melhores, nem piores) a todos os outros.”
O lado mais triste da história vem à tona quando a mídia consegue vender uma imagem idealizada e impossível de ser alcançada. Exibir adolescentes divulgando coleções para mulheres adultas, além de cruel, tem gerado dois problemas de saúde pública em vários países: a obsessão pela magreza e, em contrapartida, a caracterização da obesidade como uma epidemia.
E como não se poderia deixar de lucrar com isso, nunca foi tão grande a oferta de produtos industrializados altamente calóricos, considerados “engordativos”, ao mesmo tempo em que se fortalece uma verdadeira indústria do emagrecimento.
“Emagrecer virou moda. Uma moda que se impôs com tal vigor que até as pessoas magras – sentindo-se por fora – estão tratando de engordar para poderem fazer também sua dietazinha.” – Carlos Eduardo Novaes
Na total inversão de valores que testemunhamos todos os dias, notamos que não é mais a roupa que serve o corpo e, sim, o corpo é que se adapta à roupa.
O escritor CARLOS EDUARDO NOVAES, presenciou o surgimento de uma verdadeira literatura especializada em emagrecimento e comenta com bom humor: “Coma e emagreça, Emagreça sem comer, Calorias não engordam, Proteínas não engordam, Dieta e bem estar, numa sucessão interminável de fórmulas mágicas que já nos permitem esperar para qualquer momento algum livro chamado Emagreça sem perder peso.”
Em sua crônica A fome no prato fundo, o próprio autor ensina a sua formulazinha de emagrecimento: “A maneira mais adequada de queimar calorias é botá-las no fogo. Pegue um bife de panela que tem 175 calorias (sem a panela, é claro), 50 gramas de mortadela (170 calorias), uma Coca-cola (140 calorias) e de sobremesa um abacate médio (185 calorias). Junte tudo e leve ao fogo. Você terá queimado exatamente 720 calorias.”
Mas, no vale tudo para perder os indesejados excessos, a melhor receita de todas (e que já virou uma lenda entre um seleto grupo de ex-alunos do Cefet!!!) é a dieta da banana d’água em rodízio de pizza. Reza a tal lenda que a melhor maneira de desgastar vários pedaços de pizza ingeridos (e mal digeridos) é mandar pra dentro uma banana d’água – se possível inteira. Dizem os já iniciados que é tiro e queda.
E, para evitar que até essa coluna acabe em pizza (depois de ter começado de maneira tão séria), dou a palavra a Gerald Thomas, que a exemplo de Fred 04 (líder da banda Mundo Livre S.A.), também tem tentado entender as mulheres:
“Homem é uma bomba d’água que quer gozar. Se você fizer um buraco numa árvore, ele mete o pau e pronto. Na cabeça do homem, a mulher tem que ter aquele salto alto, tem que ser linda. Isso criou uma anomalia no mundo e as mulheres aderiram a essa loucura. Por isso os salões de beleza, cabelo, sapatos, peles, corpos esculpidos. Pra que isso? Pra satisfazer o homem?”*
Trilha sonora sugerida:
• "Tentando entender as mulheres" – Mundo Livre S.A.
• "Woman is the nigger of the world" – John Lennon
• "End of a century" - Blur
Leitura sugerida:
• *Entrevista concedida à revista TPM de julho/ 2005
• Livro O caos nosso de cada dia, de Carlos Eduardo Novaes/ Editora Nórdica.
• Livro de Aforismos de Oscar Wilde. Tradução de M. Fondelli/ Clássicos Econômicos Newton.
• Livro Diário de um magro, Mario Prata/ Editora Globo.
Agradecimentos: Leandro Costa e Du Carmo Vido
É assim que o mundo vende a imagem da mulher do século XXI. Impecável, alta, loira e em cima do salto. Executiva de uma multinacional.
Porém, não há multinacionais em número suficiente para a quantidade de mulheres no mercado de trabalho. Além disso, nossa raça de nanicos, só há poucos anos, têm conseguido vencer a subnutrição e exportar top models, em sua maioria, muito mais parecidas com as européias do que com o padrão do mulherio brasileiro.
Na vida real, a mulher (quando tem uma porta de carro para bater) entra em casa, depois de uma longa jornada, e se depara com os filhos muitas vezes já dormindo. Ela compra presentes para eles a fim de se sentir menos culpada por ter que abandoná-los todos os dias, mesmo sabendo que todo o esforço é por eles.
Já não consegue mais ser tão vaidosa. Sapato alto só para dia de festa. E, se consegue a proeza de medir mais de 1,75m, tendo apenas os 60 quilos citados acima, com certeza, fecha a porta do banheiro e enfia o dedo na goela para se livrar dos excessos cometidos no churrasco do final de semana. Porque ela tem que ser magra, alta, loira, como a moça da propaganda.
Em um mundo globalizado, em que não sabemos mais se devemos preservar nossas raízes ou misturar o que há de bom nas diversas culturas as quais passamos a ter acesso, não é de se admirar que não saibamos mais quem somos ou o que queremos ser.
“Um homem que não tem pensamentos individuais é um homem que não pensa.” - Oscar Wilde
Se ontem o “cabeça feita” era aquele que tinha e formava sua própria opinião, hoje surge a figura do criador de tendências como criador de identidades, expostas em verdadeiros supermercados de estilos e atitudes, prontos para o consumo.
A Mídia disfarçada de Moda é quem dita as regras não só para o que vestir, mas que máscara usar. Grifes, marcas e estilos fabricados chamam para si a (ir)responsabilidade de traduzir a identidade e a linguagem das pessoas. Nesse samba do crioulo doido, estilistas, modelos e celebridades passaram a ser cultuados e transformados em referências de comportamento e consumo e até o alternativo virou um estilo.
Assim, a roupa, que servia como uma ferramenta para as pessoas se cobrirem e protegerem do meio ambiente – e só para os mais estilosos, um veículo para exporem suas idéias e suas personalidades –, virou um crachá que identifica sua tribo, classe social, seu ídolo ou ideologia; ou peça de uma engrenagem que trabalha dia e noite para a banalização de conceitos, que nem se restringem mais aos padrões de beleza, mas também ao comportamento e, principalmente, à posição do indivíduo na sociedade. Afinal, segundo BERNARDO JABLONSKI (Doutor em Psicologia Social/ FGV): “Queremos ser iguais, mas com fama de diferentes. E queremos ser diferentes, mas com ar de que somos iguais (nem melhores, nem piores) a todos os outros.”
O lado mais triste da história vem à tona quando a mídia consegue vender uma imagem idealizada e impossível de ser alcançada. Exibir adolescentes divulgando coleções para mulheres adultas, além de cruel, tem gerado dois problemas de saúde pública em vários países: a obsessão pela magreza e, em contrapartida, a caracterização da obesidade como uma epidemia.
E como não se poderia deixar de lucrar com isso, nunca foi tão grande a oferta de produtos industrializados altamente calóricos, considerados “engordativos”, ao mesmo tempo em que se fortalece uma verdadeira indústria do emagrecimento.
“Emagrecer virou moda. Uma moda que se impôs com tal vigor que até as pessoas magras – sentindo-se por fora – estão tratando de engordar para poderem fazer também sua dietazinha.” – Carlos Eduardo Novaes
Na total inversão de valores que testemunhamos todos os dias, notamos que não é mais a roupa que serve o corpo e, sim, o corpo é que se adapta à roupa.
O escritor CARLOS EDUARDO NOVAES, presenciou o surgimento de uma verdadeira literatura especializada em emagrecimento e comenta com bom humor: “Coma e emagreça, Emagreça sem comer, Calorias não engordam, Proteínas não engordam, Dieta e bem estar, numa sucessão interminável de fórmulas mágicas que já nos permitem esperar para qualquer momento algum livro chamado Emagreça sem perder peso.”
Em sua crônica A fome no prato fundo, o próprio autor ensina a sua formulazinha de emagrecimento: “A maneira mais adequada de queimar calorias é botá-las no fogo. Pegue um bife de panela que tem 175 calorias (sem a panela, é claro), 50 gramas de mortadela (170 calorias), uma Coca-cola (140 calorias) e de sobremesa um abacate médio (185 calorias). Junte tudo e leve ao fogo. Você terá queimado exatamente 720 calorias.”
Mas, no vale tudo para perder os indesejados excessos, a melhor receita de todas (e que já virou uma lenda entre um seleto grupo de ex-alunos do Cefet!!!) é a dieta da banana d’água em rodízio de pizza. Reza a tal lenda que a melhor maneira de desgastar vários pedaços de pizza ingeridos (e mal digeridos) é mandar pra dentro uma banana d’água – se possível inteira. Dizem os já iniciados que é tiro e queda.
E, para evitar que até essa coluna acabe em pizza (depois de ter começado de maneira tão séria), dou a palavra a Gerald Thomas, que a exemplo de Fred 04 (líder da banda Mundo Livre S.A.), também tem tentado entender as mulheres:
“Homem é uma bomba d’água que quer gozar. Se você fizer um buraco numa árvore, ele mete o pau e pronto. Na cabeça do homem, a mulher tem que ter aquele salto alto, tem que ser linda. Isso criou uma anomalia no mundo e as mulheres aderiram a essa loucura. Por isso os salões de beleza, cabelo, sapatos, peles, corpos esculpidos. Pra que isso? Pra satisfazer o homem?”*
Trilha sonora sugerida:
• "Tentando entender as mulheres" – Mundo Livre S.A.
• "Woman is the nigger of the world" – John Lennon
• "End of a century" - Blur
Leitura sugerida:
• *Entrevista concedida à revista TPM de julho/ 2005
• Livro O caos nosso de cada dia, de Carlos Eduardo Novaes/ Editora Nórdica.
• Livro de Aforismos de Oscar Wilde. Tradução de M. Fondelli/ Clássicos Econômicos Newton.
• Livro Diário de um magro, Mario Prata/ Editora Globo.
Agradecimentos: Leandro Costa e Du Carmo Vido
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