quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A dinâmica da chuva no subúrbio do Rio

20:30 - Cenário após 10 minutos de chuva forte na zona norte da cidade maravilhosa.

(Abaixo, Avenida Lobo Júnior, um dos principais acessos à Avenida Brasil.)









20:40 - Depois de 20 minutos, ruas cheias e sacos de lixo boiando entre os carros.








20:45 - Só os carros de grande porte conseguem passar.








21:20 - A chuva passa, os carros passam, mas o lixo fica espalhado pelas ruas.







A culpa é dos moradores?

Não. A Comlurb orienta os moradores da área a depositarem seus sacos de lixo nas esquinas!!!

A culpa é dos garis?

Não. Às 21:30 os garis passaram catando com as mãos os sacos que boiavam e o lixo espalhado no meio da rua. Fizeram o melhor que podiam.

A culpa é de quem?

Seria exigir uma inteligência sobrenatural que a companhia responsável pela coleta urbana utilizasse estruturas suspensas ou protegidas da chuva para que os moradores pudessem recolher seus lixos?

E agora o que fazer? Esperar sentado a próxima chuva?

Não. Resta a nós suburbanos torcer para que o mesmo aconteça no Jardim Botânico para que a “imprensa” faça um escândalo e o prefeito passe a pressionar a Comlurb em busca de uma solução óbvia. Enquanto isso, evitem perambular nas ruas suburbanas na hora da chuva.

Há outra alternativa?

Sim. Duas.

A 1ª: Não esqueçam dessas imagens, tenham uma consciência crítica e pensem bem na hora de votar nas próximas eleições para prefeito. Chega de mauricinhos!!!

A 2ª: Contratem os caciques da tribo Cobra-Coral e peçam uma consultoria sobre os horários mais apropriados para não sair de casa. Segundo um certo secretário municipal eles mandam na chuva!

Carta aberta à população do estado do Rio de Janeiro

Nós, professores servidores do estado do Rio de Janeiro, escrevemos esta carta aberta à população para mostrar o que realmente envolve a questão da incorporação da gratificação chamada "Nova Escola"*, que vem sendo veiculada na mídia, e a diminuição do nosso plano de carreira.

* Nova Escola foi o esquema criado pelo ex-governador Anthony Garotinho para avaliar o desempenho das escolas, por meio de métodos até hoje ainda não compreendidos pela maioria, e que desnivelou os salários da classe.

A princípio, não foi dito o valor do salário do professor estadual iniciante, que é de apenas R$ 607,26. A população deve imaginar que recebemos alguma ajuda extra, como vale transporte, vale refeição, que qualquer empresa é obrigada a pagar a seu funcionário. Porém, não é isso o que acontece. Não recebemos tais benefícios, apesar de serem direitos de todo o trabalhador, e ainda temos o desconto previdenciário de 11%, recebendo um salário líquido de aproximadamente R$ 540,00.

O Governo veicula comerciais na TV, afirmando ter distribuído laptops para todos os professores. Mas, na verdade, esses laptops foram adquiridos pelo sistema de comodato, ou seja, os equipamentos são emprestados pelo governo que, quando bem entender, pode pedi-los de volta. Além disso, os professores iniciantes não foram agraciados.

Atualmente, observamos a climatização das salas de aula em um esquema em que o Governo aluga os aparelhos, gerando ainda elevado consumo de energia elétrica.

A citada incorporação do Nova Escola se dará até 2015, divida em 7 parcelas. Há casos de professores que receberão em 2010 um aumento de R$ 2,47. Valor que talvez não seja suficiente para pagar uma passagem.

Outro ponto é o grande número de pedidos de exoneração de professores. Estima-se que sejam aproximadamente 30 por dia! Também não há condições de trabalho e isso nos incomoda. Contudo, o que causa maior indignação é a carta compromisso enviada aos nossos lares na qual o mesmo governador empenhou sua palavra e agora se esquece de tudo que prometeu. As promessas foram as seguintes:

Promessa 1- Reposição das perdas dos últimos 10 anos. (Realidade: Reajuste de 4% e mais 8% de uma perda de mais de 70%.)

Promessa 2- Manutenção do atual plano de carreira e inclusão dos professores com carga horária de 40h. (Realidade: Não só manteve o professor de 40h fora do plano, como diminuiu as diferenças entre os diferentes níveis de 12% para 7,5%.)

Promessa 3- Fim da política de gratificação Nova Escola e incorporação do valor da gratificação ao piso salarial. (Realidade: Esqueceu de avisar que seria em 7 anos, sem reposição da inflação e sem equiparação salarial.)

Promessa 4- "A secretaria de Estado de Educação do meu governo terá como titular pessoa com histórico na área de educação e vínculos com o magistério." (Realidade: A atual titular da pasta é da área de computação, burocrata, sem passagem pelo magistério.)

Além de nunca dar voz aos trabalhadores, prática que inclui os professores, a imprensa ainda distorce a situação real. Somos pais e mães de família, que fizeram um curso superior na esperança de um futuro melhor.

Contamos com a compreensão e a colaboração do povo do nosso estado. Você pode não ser professor, seu filho e sua família podem não precisar da escola pública, mas nossa sociedade só vai melhorar com Educação Pública de qualidade.

Vista a camisa da Educação. Faça a sua parte para promover uma verdadeira mudança na história da Educação no estado do Rio de Janeiro. Precisamos consertar a verdadeira realidade do magistério estadual. E, nas próximas eleições, pense em tudo isso antes de votar.

Vamos mostrar a nossa força!!!

Agradecemos imensamente a atenção,

Professores do Estado do Rio de Janeiro

sábado, 2 de janeiro de 2010

Pesadelo na ilha dos sonhos

O vírus da estrada se instalou em meu sangue desde pequena. Lembro bem de ainda estar usando fraldas quando fiz minha primeira viagem. A família toda, malas, sacos de viagem, lanches e muitas horas de ônibus até o Rio Grande do Sul. Depois desta, muitas se sucederam.

No início da década de 80, a família toda apertada num Opalão caramelo descia as curvas da Rio-Santos, rumo a Angra dos Reis. Minha tia que morava conosco se casara e se mudara para o paraíso tropical. Na primeira viagem, ao chegar à cidade e ver a placa de um dos primeiros resorts a se instalar ali, perguntei ao motorista ingênua: “– Pai, estamos em Portugal?”. A gargalhada foi geral.

Passei muitos verões com ela. De início, dependia de alguém para me levar e buscar. Nos últimos, já na universidade, ia e voltava só. Meus primeiros passos para a independência. Muitas foram as vezes em que precisei retardar meu regresso devido a quedas de barreiras na estrada. Em várias destas temporadas em Angra, pude contar nos dedos os dias de sol. Ia mesmo pela companhia, pois sabia que a probabilidade maior seria ficar presa dentro de casa.

Abaixo, trilha em Ilha Grande em 2008.

Um dia, descobri Ilha Grande. Estranho ter estado tão perto durante toda a infância e nunca ter ido até lá. Foi uma paixão fulminante. O primeiro mergulho. A água morna do mar. Nem um dia de chuva. A melancolia no regresso. Sonhei com a Ilha muitas vezes e acordava feliz em todas elas. Apesar disso, levei seis anos para me dar de presente outra temporada por lá em 2008. Mas algo havia mudado. Não sei se em mim ou na Ilha.

No álbum que montei na Internet, me refiro a ela como “melhor lugar do mundo”. O sol continuava lá me acompanhando todos os dias e bronzeando as lembranças molhadas da infância em terra firme. Mas o excesso de turistas dava um ar confuso à Ilha. O mar revolto me assustou algumas vezes, deixou a água turva para o mergulho e quase virou o barco na volta do passeio a Lopes Mendes. Apesar disso, voltei com a sensação de que o presente valeu.

Sempre sinto medo nas viradas de ano. Um medo contido e escondido. Vou dormir após a ceia e os fogos com medo das notícias do dia primeiro. Entra ano e sai ano, a sensação é de que há sempre uma tragédia à espreita. Tenho medo também do que o futuro reserva. Mas procuro adiar a hora de dormir ou me confortar com a esperança de que nada ruim acontecerá.

Na primeira noite de 2010, a Ilha voltou aos meus sonhos. Mas acordei triste no meio da madrugada. Sonhei com uma avalanche me empurrando para dentro do mar. Fruto das imagens vistas nos noticiários. Que pena o “melhor lugar do mundo” ter sido o cenário para tão tristes notícias. Pena ter virado referência de tristeza e dor para tantas famílias. Mesmo assistindo a tudo de longe, vou demorar para lembrar da Ilha como antes.

Que descansem em paz todos aqueles que a água levou em seus braços. Força e fé para os que ficam e precisam continuar.

Acima, Cunha: outra cidade devastada pelas chuvas do ano novo.
Foto de 1º de janeiro de 2004.